sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Conceito de Colonização Através do Filme 1492 - A Descoberta da América

Introdução

 

Desde o surgimento das primeiras civilizações, as conquistas colonizadoras foram a base da solidificação econômica de um determinado império, cujo modo de produção necessitava território e mão-de-obra. Assim foi com a Grécia, nos séculos VII e V a.C., após o grande aumento populacional e, conseqüentemente, a falta de terras cultiváveis. Aqui já se encontra o que se emprega como causa agendi de expansão territorial e colonização: a crise. Evidencia-se, em primeiro ponto de discussão, a elementar característica no âmbito econômico.

Entretanto, não se dá para relacionar a expansão grega com intenções religiosas, uma vez que os conquistadores não impunham nenhum tipo de aceitação e doutrinação para os povos conquistados. Esse tipo de consolidação religiosa será efetivamente instaurado com a evangelização cristã pelo mundo.

As razões políticas estão entrelaçadas tanto com causas religiosas quanto econômicas. Como se evidencia em práticas imperialistas. Por outro lado, o artifício que se faz imponente em causas políticas de colonização é o que pode ser chamado aqui de potência. Ou seja, o poder político exercido sobre outros povos. É claro que o poder político sempre vem acompanhado de uma boa organização econômica e uma força militar.

 

Colonização

 

Para que se entenda o tipo de colonização aplicado à América Latina, é preciso que se compreenda o sentido da palavra colonizar. Segundo o dicionário online da Língua Portuguesa Priberam[1], colonizar significa povoar de colonos; desenvolver as condições de vida e a civilização dos indígenas. Essa forma de desenvolvimento compete a transformar a estrutura e superestrutura dos povos conquistados. Levar as condições administrativas européias de forma que se desenvolva, efetivamente, um pólo de crescimento econômico, cultural e político da metrópole. Para tanto é preciso que os mecanismos estruturais empregados sejam aproximados aos concernidos na matriz. Esse exemplo é bem apresentado no filme 1492 – A conquista da América, do diretor Ridley Scott. Na volta da primeira expedição às ilhas caribenhas, lideradas por Cristóvão Colombo, foi organizado um grupo de 39 homens no qual ficaria responsável pela primeira fortaleza portuária, um forte o qual Colombo o batizaria de “La Navidad”.

Antes de tudo, é preciso conhecer o condicionamento da empresa de Colombo até as Américas.

No primeiro parágrafo foi citada a crise como principal causa de uma expansão territorial. Derivado disso, com a Coroa espanhola e portuguesa também não foi diferente. Segundo Perry Anderson[2], uma crise afeta a Europa (crise essa demograficamente muito semelhante à que ocorreu na Grécia nos séculos VII e V a.C.) no decorrer do século XIV. A população campesinata cresce em escala muito grande concomitante à estagnação de posses de terras pelos camponeses, resultando, pois, em uma incontornável falta de alimentos. Outro ponto interessante se encontra no texto de Francisco Carlos Teixeira Silva[3], Conquista e colonização da América portuguesa, onde ele anota o objetivo em comum entre os reinos peninsulares de rivalizar a potencialidade comercial genovesa. É a partir daí que a intensificação das navegações toma rotas africanas e, conseguintemente, com a idéia de comércio de especiarias indianas, a travessia do atlântico.

Colombo tinha três preocupações no resguardo das terras descobertas. Todorov[4] formaliza em natural, divina e humana. O que corresponde à primeira é o fato de Colombo, deliciado em agraciar as paisagens do Novo Mundo e se surpreender por toda a quantidade diferenciada das características caribenhas, demonstrar seu apreço pela natureza, fato esse comprovado por sua astúcia em nomear os cabos e ilhas por onde passava (como homenageou um dos cabos como Cabo Belo). O divino, intrinsecamente, aparece no plano de fé e devoção ao cristianismo. Se Colombo pensa numa afinidade de Deus com a natureza (segundo Todorov, um Colombo hermeneuta), ao mesmo tempo ele credita a descoberta como imponente na conquista pela terra santa, Jerusalém. Mas o papel divino que, segundo ele mesmo, o concebia era o de difusor do cristianismo através do mundo. O significado do Colombo humano se refere à busca incessante pelo ouro. A riqueza explicada pela ambição de acumulação de riquezas.

Tocando nestes três pontos já se esclarece a idéia de colonização européia, figurada em Cristóvão Colombo: econômica, política e religiosa.

Ridley Scott trabalha muito bem estes três pontos. Exemplo: a chegada do Almirante à terra americana tem logo um sentido de subalternidade à Coroa espanhola. Ele, rapidamente, tenta conhecer a existência de ouro ou não. Outro exemplo – porém este referente à ambição política de Colombo – é o tratado de acordo de Colombo e os financiadores da expedição, nomear as terras nas quais passasse e tornar-se nobre das terras descobertas por ele. E, por último, difundir a religião católica pelo mundo, acentuando sua missão como evangelizador como visto no diálogo do oitavo capítulo do longa entre Colombo e o líder dos nativos.

 

Conclusão

 

Os conceitos de colonização são, evidentemente, diversificados, variando entre povos, objetivos, causas, conseqüências e cronologia. No entanto o que se observa no diferencial da colonização luso-hispânica é modo de relação com os indígenas e a intensa inclusão de elementos dogmáticos no seio político-econômico da sociedade. Como foi a implantação, na América Latina colonizada, das encomiendas.

Também a crise, a consolidação religiosa e o poder político como primordiais causas da ocorrência – por mais pressionadas que sejam – do surgimento e mudança de rotas marítimas.


 

Referência

 

SILVA, Francisco Carlos Teixeira. Conquista e colonização da América portuguesa. Brasil colônia – 1500/1750. In.: LINHARES, Maria Yedda (org). História Geral do Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1990.

 

1492 – A descoberta da América. Direção: Ridley Scott. Produção: Alain Goldman e Ridley Scott. Roteiro: Roselyne Bosch. Intérpretes: Gérard Depardieu; Armand Assante; Sigourney Weaver; Loren Dean; Ángela Molina; Fernando Rey; Michael Wincott e outros. Manaus: Microservice, 1992. 1 DVD (155 min).



[1] http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx

[2] ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo.São Paulo: Brasiliense, 1987.

[3] SILVA, Francisco Carlos Teixeira. Conquista e colonização da América portuguesa. Brasil colônia – 1500/1750. In.: LINHARES, Maria Yedda (org). História Geral do Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1990.

[4] TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América. A questão do outro. São Paulo. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

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