sexta-feira, 1 de maio de 2009

Conceitos Básicos de Sociologia por Weber

Numa idéia de singularidade enquanto aos estudos dos fatos sociais e eventos culturais, Weber destaca os significados peculiares a cada fenômeno social. Destaca também a especificidade de cada um. Isso significa que a ação social é determinada pela conduta humana, que, por sua vez, tem caráter estritamente subjetivo. Porém um estudo tendo tal ponto de vista é, efetivamente, inatingível. Isso porque a cultura é particularmente infinita, sendo assim é necessária uma análise fatigante que envolva todas as variáveis, o que, numa realidade empírica, é estratificada em diversas áreas.

A teoria do conflito, para Weber, não se limita apenas na luta de classes – essa, por sua vez, tem objetivo tão somente coletivo. A ascensão profissional, o reconhecimento popular, a acumulação do capital, a dominação e o poder são exemplos de formas individuais de conflitos. Essa concepção não positivista contribui para uma idéia de indivíduo ativo, ou seja, o indivíduo capaz de impor algo segundo a sua própria vontade. Esse conflito origina-se da distribuição desigual de recursos valorizados pela sociedade (dinheiro, prestígio, moradia, emprego etc.).

No entanto isso apenas pode ser visto dentro de relações sociais.

O agir, para Max Weber, se resume na orientação da conduta de um indivíduo levando em consideração a ação correspondente à expectativa do mesmo indivíduo. Melhor: o agente emissor de um primeiro sinal espera um outro sinal como resposta, de um outro indivíduo, entretanto que corresponda à expectativa do primeiro emissor. Assim se faz a relação social que, por meio desta, implica as formas de dominação, poder e conflito.

A imposição da própria vontade dentro de uma relação social é uma forma de dominação; de modo legítimo através das leis públicas e de modo psíquico através da coerção espontânea. Porém a dominação não se limita a circunstâncias específicas.

A dominação legal que tem, objetivamente, um fim específico, se baseia em estatutos e regulamentos. A divisão do trabalho, hierarquia de autoridades, controle de emoções, competências técnicas, controle organizacional dos cargos são características burocráticas da forma legal de dominação, que se diferencia da forma tradicional no requisito regulamento. Essa já na conta com estatuto, mas sim com o respeito a crenças há muito tempo estabelecidas. Por último a dominação carismática, que, de fato, utiliza a emoção como alicerce de manutenção do poder. Jesus Cristo foi um grande líder carismático, os principais elementos que deram suporte à sua dominação foram a divindade, dotes sobrenaturais e suas qualidades como precursor da salvação da humanidade.

Reflexão Sobre o Segundo Livro da Obra 'O Suicício' de Èmile Durkheim

Introdução

Durkheim aborda o suicídio como causa tão somente social, enfatizando as características e o classificando de acordo elas. Ele dispõe de grupos suicidas: o egoísta, em que o indivíduo é motivado por um isolamento exagerado em relação à sociedade, que o transforma em um “solitário”, sendo que os laços sólidos se desintegram; o altruísta, o indivíduo está estreitamente sob a obediência do coletivo, renunciando-se à própria vida em detrimento de algo que, por sua concepção, é maior que ele; e anômico, em que o suicídio é determinado por ordem social ou econômica.

Na obra o autor redobra a atenção para as taxas de suicídios e estatísticas em determinados países que registraram números sobre esse fato. Porém, o mesmo Durkheim, sugere um melhor estudo desses dados, pois não há interpretações e explicações para tais ocorrências, decorrendo, assim, uma não exatidão de certos números.

Portanto, Durkheim desenvolve uma análise sistemática em torno de um fenômeno social, adquirindo uma forma sociológica e não psico-orgânica – o que não corresponde aos suicídios vesânicos -, partindo de formas individuais, com variação de grau, gênero, faixa etária, estado civil e casos especiais, à formação morfológica do suicídio.

Apreciação

De fato, cada grupo social tem uma tendência ao suicídio que somente é explicada por fenômeno social. Isto porque as forças exteriores, como família, Igreja, amigos, escola, grupos sociais, enfim, a sociedade, moldam o comportamento do indivíduo conforme sua integração ou desintegração nela e a sua transformação.

As formas individuais de suicídio motivam a classificação dos suicídios em egoísta, altruísta e anômico. Tais formas são condizentes com a situação social, psíquica e emocional do indivíduo. Ou seja, a análise do suicídio racional é elaborada a partir do estado psicológico em que o suicida se encontra, de como preparou e executou o suicídio e de seu estado emocional no momento do ato. Pois diversos fatores são influentes em variadas ações, exemplo semelhante a um piloto de Fórmula 1, em que ele, para vencer uma corrida, precisa estar em estado psicológico favorável, preparar o carro e executar as manobras com o máximo de perfeição e estar emocionalmente estável.

A diversidade nos tipos de suicídio é um importante aspecto no estudo da obra, uma vez que há um determinismo em cada fenômeno social. Exemplo: a violência varia de região para região e de classe social para classe social, o que não é diferente para o suicídio. Durkheim cita em sua obra a variação entre agricultores e profissionais liberais, dando margem a uma diferenciação das formas e tipos sociais de suicídio. Ele revela a pouca exatidão dos números demonstrados pelos países no século XIX, em que é notada uma aproximação entre os dois graus de profissão, o que é descartado por esse determinismo.

Assim também ele trata sobre o suicídio dentro das religiões, sejam elas cristãs ou não. Abordando com aproximação o número de suicídios dentre essas religiões, sendo que em dado momento ele retrata a religião judaica como a menos que provém de suicídios, visto como a mais cimentada. Mas quando a sociedade religiosa, da qual o indivíduo faz parte, perde sua coesão, ele procura sua autodestruição. No entanto isso não é apenas visto no suicídio, mas, como também, na sua cultura e na sua concepção econômica, o que, de fato, confirma as expectativas de Durkheim.

É comprovado, também, que o índice de suicídios por mulheres no mundo é menor que os homens, pois a mulher convive mais tempo com a família que o próprio homem. Essa informação se confirma através da carga horária de trabalho atribuída ao homem, de forma que este passa mais tempo fora do seio familiar, e isso é um fator relevante para a causa do suicídio, principalmente na forma egoísta.

Até os dezesseis anos a tendência do indivíduo ao suicídio é muito fraca por causa da idade, visto que, durante este período, o sujeito ainda não se integrou totalmente à sociedade. O mesmo conceito se utiliza para à aplicabilidade da maioridade penal, em que o jovem ainda não tem total formação de cidadania e, portanto, não é responsável por seus atos.

Segundo, Durkheim, o casamento e a vida familiar aumentam o risco de suicídio pelo fato de uma união exigir uma preocupação por parte do indivíduo quanto à sustentabilidade familiar, afeto e preservação de sua imagem.

Ainda numa mesma ordem, quanto à situação da viúva, ela é mais crítica que a do viúvo, porquanto que há dificuldade na manutenção da família e na sua consistência moral. Durante o matrimônio, em que a mulher passa a maior parte do tempo com a família, futuramente, com a perda do marido, ela sentirá muito mais a falta, pois existirão problemas de ordens econômicas e proporções éticas.

No campo geográfico, em todos os países da Europa, a Inglaterra se enquadra no padrão de menor indicador de suicídios. Porque ela fica sendo a que dá liberdade religiosa e não tendo preconceito quanto à escolha da pessoa sobre seu seguimento místico.

Durkheim elucida o modo suicida altruísta a partir de uma exasperada pressão da sociedade para com o indivíduo, de maneira que os dogmas e símbolos sociais favorecem o suicídio. Por exemplo, na obra, há uma passagem em que Plutarco cita que a espera da morte é uma desonra, isto é, a doença e a velhice são formas de não virtudes manifestadas nos homens que, através do suicídio, podem ser aniquiladas da vida do sujeito. Isso é comprovadamente verídico a partir do momento que os símbolos culturais moldam o comportamento da sociedade; o homem é produtor e produto e de sua cultura. O indivíduo, por exemplo, ao ser traído por sua esposa, posteriormente é pressionado pela sociedade a tomar decisões precipitadas pelo fato de um ato como este lhe causar tamanha desonra e vergonha, e, com probabilidade de suicídio tanto egoísta quanto altruísta, ele é levado à própria destruição.

Outra característica decorrente do suicídio altruísta corresponde à idolatria a um outro indivíduo ou instituição, determinando que sua vida plenamente depende de uma força exterior. Isto é, a mãe que se sujeita a dar a vida pelo próprio filho, visto isso muitas vezes em partos que o risco de morte do bebê é ocasionado pela própria sobrevivência da mãe. Também quando um homem de posses perde todos os seus bens, ele é instigado tanto ao suicídio para zelar o nome da família quanto à moral na sociedade quanto pelo fato de criar uma expectativa ruim em relação ao modo vida futura. Encontra-se, nesse exemplo, o suicídio anômico-altruísta.

Também a influência religiosa talvez seja uma das maiores causas de suicídio altruísta, isso porque muitos indivíduos optam pelo suicídio fundamentado em dogmas religiosos. A fome e a sede são exemplos clássicos de suicídios provenientes de crenças religiosas. No entanto, atualmente, é notória a observação desse aspecto na religião católica, em que o fiel faz sacrifício de jejum como forma de sentimento e remissão determinados pelos dogmas da Igreja, não é uma forma de suicídio, mas detém-se do mesmo objetivo: autoflagelação e submissão.

 Èmile Durkheim, em sua obra, revela que, como estado crônico, o exército se faz presente como o meio de suicídio altruísta mais freqüente na sociedade. De fato, ele é parte do objetivo do soldado: morrer pela pátria. Isso significa uma subordinação do indivíduo quanto à Instituição da qual pertence. Na guerra o suicido se faz presente em sua forma concreta quando o indivíduo renuncia a vida em cumprimento de um dever que lhe foi imposto. Certamente o autor propôs uma nova visão do exército, como forma de dominação sobre o indivíduo, enxergando uma perspectiva dogmática em torno de uma causa política, porém, de maneira funcional, ele não questiona o papel do exército quanto instituição favorável à sociedade, visando apenas seu papel quanto órgão regulador (concentração de poder) da harmonia social.

No tocante, o soldado tem por concepção dar sua vida em razão da vida do outro, entretanto a sua concepção diante da vida de soldados inimigos não pode ser igualmente comparada à primeira. Desse modo ele se torna produto da ideologia patriótica vigente em seu ponto de vista, ou seja, é programado para uma morte em favor de uma causa que não tem por objetivo beneficiar a ele próprio.

As transformações sócio-econômicas fazem com que a sensibilidade do indivíduo se torne aguçada, levando-o a uma escolha de auto-aniquilação, pensado ele não haver mais razão para viver e um ponto cume de irritação que o faz destruir a si próprio. A inflação pode ser causa do suicídio anômico, por exemplo: o cidadão ao se defrontar com uma crise econômica, sensibiliza-se – ficando irritado ou extramente melancólico – diante da situação, não pensando em um outro meio de saída senão à morte. Enfim, causas sociais influenciam no comportamento do sujeito e no seu estado emocional e psíquico, contrariando a natureza humana que não impõe a tristeza ou aborrecimento às coisas, ou seja, a mente humana atinge um estado de patologia. Não é diferente em casos freqüentes nas famílias, porém, em sua maioria, não leva o indivíduo ao suicídio; nas famílias se encontram tanto fatos melancólicos quanto aborrecimentos que tornam o comportamento do indivíduo indiferente.

Atingir a felicidade para Durkheim só é possível através dos requisitos que o meio social proporciona às necessidades humanas, isto é, o homem apenas alcança a felicidade se o desejo de viver seja mantido pela realização de suas necessidades através do meio social em que vive. Exemplo: felicidade para o judeu significa contentamento; contentar-se com o que lhe é concebido, assim como foram as perseguições anti-semitas, os judeus tinham por concepção a não redenção, porém o gratificação ao seu Deus diante da sua vontade. Porém se essas necessidades não fossem proporcionais ao meio social, o indivíduo era motivado a uma falta de razão perante a vida, o que, por conseguinte, resultaria num suicídio anômico. Entretanto a visão de sujeito passivo de Durkheim, interfere numa transformação dos requisitos propostos pela sociedade, que é dominada por uma força de concentração de poder; se o sujeito durkheimiano fosse ativo e transformador do meio social, esses requisitos seriam de tal forma moldados a partir das necessidades que lhes são atribuídas e não mais o sujeito viveria em função da sociedade, seria atuante e acima dela.

Por fim, presente nas três formas, egoísta, altruísta e anômico, o suicídio sintetiza um fenômeno social presente nas civilizações passadas, presentes e futuras. A melancolia, a não-ação, a concentração e análise de si mesmo, a individualização da consciência, o afastamento social, a falta de vontade de viver oriunda da elevação da consciência e impregnada na compreensão estóica, o estado patológico da mente e o ímpeto de fé dão implicações na auto-execução; essas formas individuais de suicídio resultam na formação morfológica da classificação destes, desde suicídios famosos como o de Judas até suicídios fictícios como os vistos em filmes na música Pais e Filhos, do compositor brasileiro Renato Russo. Todos estes têm uma causa procedente do ambiente social. Os fatores exteriores dos quais derivam essas causas, não são intrínsecos ao homem, obtendo no decorrer de sua existência como ser social. Mesmo utilizando de argumentos funcionalistas, Durkheim segregou as origens sociais dos suicídios não vesânicos, e, por isso, não apresentou a organização e modelo social funcional como causadora dessas origens, mas, sim, sua ordem operacional, distribuidora e reguladora dos fenômenos sociais como inerentes às sociedades e à sua estrutura e funcionamento.

Considerações Finais

Foi abordado, criticamente e reflexivamente, as idéias propostas pelo sociólogo francês Émile Durkheim, no segundo livro da obra O Suicídio. Ele apresentou os três tipos de suicídios e as suas divisões, tanto em suas formas individuais quanto nos números estatísticos. Inicialmente ele descreveu os tipos e as causas sociais do suicídio: enfatizando o ângulo sociológico, ele fundamentou as origens no âmbito social, descartando a “constituição orgânico-psíquica do homem e a natureza do meio físico”, como se refere no primeiro capítulo. Na resenha foi concatenada os tipos de suicídio elaborado por Durkheim e seus exemplos, sempre numa tomada atual e pertinente à realidade contemporânea, assim como foi descrito os exemplos do piloto de fórmula 1, da traição e arruinamento financeiro, o que não impediu de exemplificar também uma cultura diversificada como a do Judeu.

Então, por esse contorno, se elucidou os principais pontos da obra e suas reflexões; não se isentando do dever crítico de uma olhar acadêmico sobre a obra. Assim se fez as objeções necessárias como também a confirmação e autenticidade de pontos importantes na apreciação do livro, determinando, portanto, a validade dessas reflexões.

Análise Comparativa dos Estados Absolutistas do Ocidente e Oriente

Por razões, conseqüentemente, materialistas, a diferenciação do Estado absolutista ocidental em relação ao absolutismo no Leste europeu se caracterizou, principalmente, por sua consolidação, não obstante a sua causa primeira. Tais razões foram o estopim para o fim da servidão, na região ocidental, e a consolidação desta, na região oriental. No entanto a tomada de domínio divergia em sua forma expansionista.

O direito romano, no Ocidente europeu, empenhou a solidificação do legibus solutus acerca das características polítco-legais exercidas pela classe dominante durante todo o início da Idade Moderna: a aristocracia feudal. Domínio fluído tanto por ordem política como econômica. Apesar da adaptação do absolutismo à crescente onda urbana no Ocidente – o que não deve ser confundida com o equilíbrio da aristocracia feudal com a burguesia, fato já desvencilhado por Perry Anderson -, a direção tomada pela classe dominante no Leste é evidenciada, primordialmente, pela violência em que a servidão é imposta ao campesinato.

Uma vez que não havia autonomia governamental nas cidades do Leste – explicada pela não urbanização comercial burguesa em escala avançada -, a organização economicamente comercial do Leste era afinada por uma só classe.

Uma prova das divergências entre as duas formas de absolutismo na Europa se enquadra no curso de suas expansões: “a conquista, e não o comércio,” escreve Anderson ao se referir ao absolutismo no Leste, “era a sua forma básica de expansão”.

Similitudes e diferenças entre as duas formas de absolutismo são claramente observadas: no decorrer de sua formação – causa agendi -, no processo de consolidação e nas características básicas que modelam ambas.

O Conceito de Colonização Através do Filme 1492 - A Descoberta da América

Introdução

 

Desde o surgimento das primeiras civilizações, as conquistas colonizadoras foram a base da solidificação econômica de um determinado império, cujo modo de produção necessitava território e mão-de-obra. Assim foi com a Grécia, nos séculos VII e V a.C., após o grande aumento populacional e, conseqüentemente, a falta de terras cultiváveis. Aqui já se encontra o que se emprega como causa agendi de expansão territorial e colonização: a crise. Evidencia-se, em primeiro ponto de discussão, a elementar característica no âmbito econômico.

Entretanto, não se dá para relacionar a expansão grega com intenções religiosas, uma vez que os conquistadores não impunham nenhum tipo de aceitação e doutrinação para os povos conquistados. Esse tipo de consolidação religiosa será efetivamente instaurado com a evangelização cristã pelo mundo.

As razões políticas estão entrelaçadas tanto com causas religiosas quanto econômicas. Como se evidencia em práticas imperialistas. Por outro lado, o artifício que se faz imponente em causas políticas de colonização é o que pode ser chamado aqui de potência. Ou seja, o poder político exercido sobre outros povos. É claro que o poder político sempre vem acompanhado de uma boa organização econômica e uma força militar.

 

Colonização

 

Para que se entenda o tipo de colonização aplicado à América Latina, é preciso que se compreenda o sentido da palavra colonizar. Segundo o dicionário online da Língua Portuguesa Priberam[1], colonizar significa povoar de colonos; desenvolver as condições de vida e a civilização dos indígenas. Essa forma de desenvolvimento compete a transformar a estrutura e superestrutura dos povos conquistados. Levar as condições administrativas européias de forma que se desenvolva, efetivamente, um pólo de crescimento econômico, cultural e político da metrópole. Para tanto é preciso que os mecanismos estruturais empregados sejam aproximados aos concernidos na matriz. Esse exemplo é bem apresentado no filme 1492 – A conquista da América, do diretor Ridley Scott. Na volta da primeira expedição às ilhas caribenhas, lideradas por Cristóvão Colombo, foi organizado um grupo de 39 homens no qual ficaria responsável pela primeira fortaleza portuária, um forte o qual Colombo o batizaria de “La Navidad”.

Antes de tudo, é preciso conhecer o condicionamento da empresa de Colombo até as Américas.

No primeiro parágrafo foi citada a crise como principal causa de uma expansão territorial. Derivado disso, com a Coroa espanhola e portuguesa também não foi diferente. Segundo Perry Anderson[2], uma crise afeta a Europa (crise essa demograficamente muito semelhante à que ocorreu na Grécia nos séculos VII e V a.C.) no decorrer do século XIV. A população campesinata cresce em escala muito grande concomitante à estagnação de posses de terras pelos camponeses, resultando, pois, em uma incontornável falta de alimentos. Outro ponto interessante se encontra no texto de Francisco Carlos Teixeira Silva[3], Conquista e colonização da América portuguesa, onde ele anota o objetivo em comum entre os reinos peninsulares de rivalizar a potencialidade comercial genovesa. É a partir daí que a intensificação das navegações toma rotas africanas e, conseguintemente, com a idéia de comércio de especiarias indianas, a travessia do atlântico.

Colombo tinha três preocupações no resguardo das terras descobertas. Todorov[4] formaliza em natural, divina e humana. O que corresponde à primeira é o fato de Colombo, deliciado em agraciar as paisagens do Novo Mundo e se surpreender por toda a quantidade diferenciada das características caribenhas, demonstrar seu apreço pela natureza, fato esse comprovado por sua astúcia em nomear os cabos e ilhas por onde passava (como homenageou um dos cabos como Cabo Belo). O divino, intrinsecamente, aparece no plano de fé e devoção ao cristianismo. Se Colombo pensa numa afinidade de Deus com a natureza (segundo Todorov, um Colombo hermeneuta), ao mesmo tempo ele credita a descoberta como imponente na conquista pela terra santa, Jerusalém. Mas o papel divino que, segundo ele mesmo, o concebia era o de difusor do cristianismo através do mundo. O significado do Colombo humano se refere à busca incessante pelo ouro. A riqueza explicada pela ambição de acumulação de riquezas.

Tocando nestes três pontos já se esclarece a idéia de colonização européia, figurada em Cristóvão Colombo: econômica, política e religiosa.

Ridley Scott trabalha muito bem estes três pontos. Exemplo: a chegada do Almirante à terra americana tem logo um sentido de subalternidade à Coroa espanhola. Ele, rapidamente, tenta conhecer a existência de ouro ou não. Outro exemplo – porém este referente à ambição política de Colombo – é o tratado de acordo de Colombo e os financiadores da expedição, nomear as terras nas quais passasse e tornar-se nobre das terras descobertas por ele. E, por último, difundir a religião católica pelo mundo, acentuando sua missão como evangelizador como visto no diálogo do oitavo capítulo do longa entre Colombo e o líder dos nativos.

 

Conclusão

 

Os conceitos de colonização são, evidentemente, diversificados, variando entre povos, objetivos, causas, conseqüências e cronologia. No entanto o que se observa no diferencial da colonização luso-hispânica é modo de relação com os indígenas e a intensa inclusão de elementos dogmáticos no seio político-econômico da sociedade. Como foi a implantação, na América Latina colonizada, das encomiendas.

Também a crise, a consolidação religiosa e o poder político como primordiais causas da ocorrência – por mais pressionadas que sejam – do surgimento e mudança de rotas marítimas.


 

Referência

 

SILVA, Francisco Carlos Teixeira. Conquista e colonização da América portuguesa. Brasil colônia – 1500/1750. In.: LINHARES, Maria Yedda (org). História Geral do Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1990.

 

1492 – A descoberta da América. Direção: Ridley Scott. Produção: Alain Goldman e Ridley Scott. Roteiro: Roselyne Bosch. Intérpretes: Gérard Depardieu; Armand Assante; Sigourney Weaver; Loren Dean; Ángela Molina; Fernando Rey; Michael Wincott e outros. Manaus: Microservice, 1992. 1 DVD (155 min).



[1] http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx

[2] ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo.São Paulo: Brasiliense, 1987.

[3] SILVA, Francisco Carlos Teixeira. Conquista e colonização da América portuguesa. Brasil colônia – 1500/1750. In.: LINHARES, Maria Yedda (org). História Geral do Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1990.

[4] TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América. A questão do outro. São Paulo. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

ANÁLISE DA HERENÇA COLONIAL SEGUNDO A HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA POR TÚLIO HALPERIN DONGHI

Desde o início da expansão humana, o homem social tem, a priori, a necessidade do domínio sobre grupos alheios, de certo para firmar a superioridade da sua organização. Foi assim tanto na escravização dos povos quanto na tomada de terras. Porém, cada tipo de domínio tem suas peculiaridades, e é isso que Donghi trata no primeiro capítulo: as conseqüências da forma de colonização européia na América Latina. No entanto há de se observar que tipo de colonização foi instituído na América Latina. Segundo o dicionário online de português Priberam[1], colonizar significa habitar de colonos; desenvolver as condições de vida e a civilização dos indígenas. Uma vez que, segundo o próprio dicionário, colono é aquele que desbrava o solo e o cultiva, a colonização Latino-Americana corresponde ao homem europeu habitando e desbravando as terras para desenvolver as qualidades de vida dos nativos.

Tendo identificado o tipo de colonização aplicado à América Latina, agora há de se ressaltar os objetivos específicos da Metrópole. Donghi cita um sistema comercial desenvolvido nas terras colonizadas. Para tanto, esse sistema se aplica e se sustenta para condicionar à metrópole que as metas sejam atingidas. Para entender melhor a funcionalidade do sistema, Donghi anota que “são evidentes as vantagens que tal sistema assegurava à metrópole” (p. 12). Essas vantagens correspondiam às utilidades mineradoras, tanto industriais quanto artesanais. Dessa forma a intenção de arrecadação em grande quantidade de dinheiro da colônia com o mínimo de recursos gastos seria possível. Então como aniquilar o máximo de despesas para atender às necessidades da metrópole?

Gastos com mão-de-obra em um determinado aproveitamento de trabalho é um dos recursos mais custosos para o empregador, no entanto para a proteção dos objetivos da Coroa, surgiu uma classe de trabalhadores exploratórios chamada de mita. Os mytaios eram índios que cumpriam serviços obrigatórios nas minas em condições trabalhistas desumanas. Considerando-se assim um tipo de escravidão implantando na América. Porém não foi o primeiro. Antes da mita, os colonizadores utilizavam o que chamariam de encomienda. Essa forma de trabalho compulsório consistia no pagamento dos serviços indígenas nas zonas rurais através da catequização desses índios. Esses dois tipos de escravização, poucos comentados no texto de Donghi, serão, inegavelmente, importantes para a manutenção da exploração mineral e agrária da América Latina.

Importante frisar o sistema utilizado nas colônias hispânicas. Donghi o compara com centros feudais, pois a existência de um senhor como proprietário de um determinado lote de terra fazendo uma função de vassalo. Esse elemento colonial é conhecido como hacienda, que vai pendurar até o fim do período colonial. Porém é importante saber que não apenas esse modo de produção sustentou a economia colonial, a comunidade indígena tinha vantajosa participação nos mecanismos de produção econômica, embora a hacienda vá, posteriormente, sufocá-la, dado ao declínio da população indígena. Segundo Donghi, “a hacienda é um tipo de empresa orientado essencialmente para consumidores externos”, uma vez que a exportação se tornou primordial, em contrapartida às comunidades indígenas.

Não obstante a um modelo de aproximação feudal, as características modernas de produção econômica se fizeram superior ao bruto extraído das terras. “O empreendimento agrícola constitui”, anota Donghi, “de qualquer modo, uma espécie de segunda zona, dependente da mercantil e mineradora”. Por vez, a economia mercantil e mineradora não quererá um isolamento agrário, pois o extraído é mantenedor da primeira.

O século XVIII foi marcado pelas importantes reformas do sistema comercial. A mais importante se destacou em explorar novos contributos coloniais e a aplicar um sistema de comercial de consumo. Sob o olhar de Túlio Halperin Donghi:

 

A reforma comercial não apenas consolida e promove essas modificações da economia colonial, as quais, como dissemos, ligam-se com outras que estão se processando na metrópole. Essa nova onda de conquista de mercados locais, que se produz no curso do século XVIII desde Vera-Cruz até Buenos Aires, em favor de comerciantes vindos da Península (os quais assumem o lugar dos nativos, que dominavam na época anterior), essa onda é denunciada por todos como a afirmação do monopólio de Cádiz. O ambiente comercial andaluz, por sua vez, está dominado por mercadores de origem catalã; Cádiz, no essencial, é apenas um braço de Barcelona.

 

O que se pode destacar em relação ao legado colonial hispânico são os sistemas, unidades e relações econômicas surgidas no curso do período colonial: encomiendas, mitas, hacienda, corregidores, cabildos, mercaderes etc., que, por sua vez, causaram um grande desfavorecimento à economia contemporânea, tal as necessidades de reformas agrárias, reformas econômicas, amplo mercado de economia externa mais autônoma e um desenvolvimento comercial paralelo universalmente.


 

REFERÊNCIA

 

DONGHI, Tulio Halperin. História da América Latina. São Paulo: Paz e Terra, 1975. PP. 11-54.



[1] www.priberam.pt

Desenvlvimento Cognitivo e Pedagogia

Estágios do desenvolvimento cognitivo

 

Buscando compreender como o homem constrói o conhecimento, Piaget desenvolveu uma teoria na qual o desenvolvimento cognitivo se realiza em estágios, ressaltando a importância das condições sociais como fator básico do desenvolvimento humano.

Assim ele divide nos seguintes estágios: (1) sensório-motor, de 0 a 2 anos; (2) pré-operacional, de 2 a 7 anos, e (3) operacional, concreto, 7 a 11 anos, e formal, a partir dos 12 anos.

No primeiro, a atividade intelectual é de natureza sensorial e motora, em que a principal ocupação da criança é a interação dos sentidos com o ambiente. No pré-operacional inicia-se o uso dos símbolos mentais, imagens ou palavras que representam coisas e pessoas. É quando ocorre a representação ou imitação, como também já há um entendimento sobre moralidade (certo ou errado). A criança nesse estágio ainda é incapaz de se colocar no ponto de vista de outra pessoa, esse modo característico de pensamento é chamado egocentrismo.

O último estágio se subdivide em dois: o concreto e o formal. No concreto, a criança usa a lógica e o raciocínio, compreendendo os termos de relação e a classificação de objetos ou seres de acordo com suas características.

Na operação formal, a criança não depende tanto da percepção ou da manipulação de objetos concretos, mas sim a formulação de hipóteses que se comprovam na realidade ou em pensamento é o hipotético dedutivo.

 

Construtivismo

 

A psicologia de Jean Piaget é considerada construtivista ao passo que se concentra em explicar noções de construção de conhecimento a partir do desenvolvimento cognitivo da criança. No entanto a teoria não teve, em primeira instância, a preocupação de ter um alcance tão significativo na Pedagogia, embora tenha conseguido uma enorme amplitude na Educação. Inclusive, no Brasil, nos estudos da leitura e escrita, além do trabalho de reeducação de crianças com distúrbios de aprendizagem.

Na teoria construtivista, aluno (sujeito) é um ser ativo que estabelece relação de troca com o meio/objeto. Sendo por si só uma teoria interacionista que irá influenciar várias outras teorias de teor sociológico como as de George Herbert Mead e Erik Erikson.

Em se tratando de ensino/aprendizagem, o professor deve estar atento sobre o estágio de desenvolvimento do aluno. Ou seja, devem ser estabelecidos os métodos de ensino de acordo com o estágio de desenvolvimento cognitivo da criança, exigindo do professor uma atenção individualizada para cada aluno, uma vez que a variação da formação de cada estágio pode ocorrer de um indivíduo para outro.

A teoria piagetiana é considerada contemporânea no âmbito pedagógico. Os primeiros indícios da teoria de Piaget no campo educacional foram evidenciados a partir do movimento escolanovista, iniciado na Europa no final do século XIX. A partir de então a proposta de inserir a concepção piagetiana na Pedagogia foi com o intuito de combater a Educação Funcionalista do sociólogo francês Émile Durkheim. Uma nova compreensão surgia constituída desse ânimo reformista na Educação.

O construtivismo de Piaget também foi decisivo na formulação dos Pilares da Educação pela Organização das Nações Unidas – ONU, representando o primeiro pilar: aprender a conhecer. Significando a valorização da construção do conhecimento a partir de métodos construtivistas.

Tais métodos representam em sua maioria a liberdade dada ao aluno, como, por exemplo, a participação ativa na aula; a oposição às cartilhas, frequentemente usada em métodos funcionalistas; e material diversificado de acordo com a realidade do aluno.

 

Aplicabilidade das teorias piagetianas

 

A grande confusão feita no meio acadêmico e científico é em relação a classificação da teoria de Piaget. Isto é, equívocos, sobretudo à natureza da obra do estudioso, são facilmente encontrados. Mas o que deve ser esclarecido é que não necessariamente são encontradas em Piaget propostas pedagógicas e preocupações pedagógicas. A obra de Piaget não é pedagógica.

O que houve foi uma tradução ou um empréstimo da teoria de Jean Piaget para a Educação. Isso leva a crer que a obra é tão requisitada no campo pedagógico por se tratar do desenvolvimento da criança, ocorrendo uma adaptação dos escritos piagetianos às correntes pedagógicas, como já visto em referência à Escola Nova.

Como as crianças constroem o conhecimento?

As propostas práticas dos educadores rondam em torno de atividades desafiadoras para a promoção da descoberta e a construção do conhecimento. As concepções infantis combinam-se às informações advindas do meio. O conhecimento não é descoberto espontaneamente pela criança, resulta de interações.

Com a concepção de Piaget, a formação de homens “criativos, inventivos e descobridores”, de pessoas críticas e ativas e a busca constante da construção da autonomia formam alguns objetivos da Educação.

Algumas implicações do pensamento de Piaget para a aprendizagem: a) a aprendizagem depende do nível de desenvolvimento do sujeito; b) a interação social favorece a aprendizagem; c) os objetivos pedagógicos necessitam estar centrados no aluno; e d) oferece ao professor atitude de respeito às condições intelectuais do aluno e um modo de interpretar suas condutas verbais e não verbais para melhor poder trabalhá-las.

São percebidos alguns princípios básicos para a aplicabilidade da teoria: a ação, em que as crianças conhecem os objetos usando-os; a representação, atribuindo todas as atividades um tipo de representação, permitindo que a criança manifeste o seu simbolismo; as atividades grupais, desenvolvendo a interação com o contato com outras crianças; e a organização, em que é adquirida através de atividades.

IDÉIAS PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS DE ÁFRICA A PARTIR DO ARTIGO DO PROF. MSC. FERNANDO JOSÉ FERREIRA AGUIAR

Esse texto tem como caráter fomentar discussões em relação à idéia de África a partir do artigo A História da África entre afirmação da alteridade na diferença, fetichização da diferença e reconhecimento, do Prof. Msc. Fernando José Ferreira Aguiar, bem como elucidar pontos importantes do artigo, tendo em vista o usufruto da teoria do filósofo inglês John Locke acerca do entendimento humano.

Logo ao primeiro parágrafo identificamos a chamada “invenção de África”. Consideremos que, segundo Locke, a produção da idéia (a palavra aqui como sinônimo de conceito) é conseqüência da qualidade do objeto, o continente africano desencadeou múltiplas noções em relação à sua natureza. Tracemos, então, dois subtópicos em referência à teoria de Locke: qualidade primária e qualidade secundária.

I - A primeira significando uma idéia universal de África. Ou seja, o que seria, a priori, o conceito absorvido por todos, como clima, relevo, vegetação etc.;

II – No entanto a segunda é relativa e subjetiva, provocando no indivíduo uma idéia própria de África; sendo, deste modo, variável de sujeito para sujeito.

Em se tratando da origem da palavra África, é perceptível o primeiro subtópico: gregos, latinos e fenícios consideravam as qualidades empíricas como primeiras noções de África. Por isso a classificação como idéia primária.

É interessante elucidarmos, antes de partimos para a análise das idéias secundárias encontradas no artigo, que o princípio dos estudos de África se enverga num âmbito lingüístico: tanto na etimologia dos termos como nos dialetos oriundos da expansão humana. Para tal, Geenberg afirma um núcleo inicial da expansão humana a partir da fronteira de Nigéria e Camarões; um contraponto é a teoria de Guthrie em que é exposta a região do Chade como ponto inicial do deslocamento; e, por fim, Roland Oliver, fazendo uma fusão das duas idéias anteriores. Todas elas pertencentes de uma única raiz.

O que primeiro podemos discutir em relação às idéias secundárias num olhar à África é que, por motivo histórico-cultural, foi montando, segundo o artigo, a partir de Hegel, um conjunto de noções básicas para o desfavorecimento das sociedades não européias. Por outro lado, o que chamamos de eurocentrismo pode ser colocado como forma inata ao homem social de se firmar como grupo e/ou organização, assim como o determinismo ambiental pode explicar algumas teorias relacionadas à dominação política, econômica e social. Dessa forma o afrocentrismo também faz parte de um conjunto de noções básicas para o favorecimento dos povos africanos e afrodescendentes. Assim, o compositor brasileiro Raul Seixas cita em O Homem, gravada em 1976, “Pois se uma estrela há de brilhar / Outra então tem que se apagar”, fazendo alusão à firmação do homem enquanto ser social.

Dessa forma os conceitos criados para uma separação de África do resto do mundo, nos moldes do eurocentrismo, são, de certa forma, pensados com o mesmo propósito de idéias opostas, criação de preceitos sociais inerentes homem.