Esse texto tem como caráter fomentar discussões em relação à idéia de África a partir do artigo A História da África entre afirmação da alteridade na diferença, fetichização da diferença e reconhecimento, do Prof. Msc. Fernando José Ferreira Aguiar, bem como elucidar pontos importantes do artigo, tendo em vista o usufruto da teoria do filósofo inglês John Locke acerca do entendimento humano.
Logo ao primeiro parágrafo identificamos a chamada “invenção de África”. Consideremos que, segundo Locke, a produção da idéia (a palavra aqui como sinônimo de conceito) é conseqüência da qualidade do objeto, o continente africano desencadeou múltiplas noções em relação à sua natureza. Tracemos, então, dois subtópicos em referência à teoria de Locke: qualidade primária e qualidade secundária.
I - A primeira significando uma idéia universal de África. Ou seja, o que seria, a priori, o conceito absorvido por todos, como clima, relevo, vegetação etc.;
II – No entanto a segunda é relativa e subjetiva, provocando no indivíduo uma idéia própria de África; sendo, deste modo, variável de sujeito para sujeito.
Em se tratando da origem da palavra África, é perceptível o primeiro subtópico: gregos, latinos e fenícios consideravam as qualidades empíricas como primeiras noções de África. Por isso a classificação como idéia primária.
É interessante elucidarmos, antes de partimos para a análise das idéias secundárias encontradas no artigo, que o princípio dos estudos de África se enverga num âmbito lingüístico: tanto na etimologia dos termos como nos dialetos oriundos da expansão humana. Para tal, Geenberg afirma um núcleo inicial da expansão humana a partir da fronteira de Nigéria e Camarões; um contraponto é a teoria de Guthrie em que é exposta a região do Chade como ponto inicial do deslocamento; e, por fim, Roland Oliver, fazendo uma fusão das duas idéias anteriores. Todas elas pertencentes de uma única raiz.
O que primeiro podemos discutir em relação às idéias secundárias num olhar à África é que, por motivo histórico-cultural, foi montando, segundo o artigo, a partir de Hegel, um conjunto de noções básicas para o desfavorecimento das sociedades não européias. Por outro lado, o que chamamos de eurocentrismo pode ser colocado como forma inata ao homem social de se firmar como grupo e/ou organização, assim como o determinismo ambiental pode explicar algumas teorias relacionadas à dominação política, econômica e social. Dessa forma o afrocentrismo também faz parte de um conjunto de noções básicas para o favorecimento dos povos africanos e afrodescendentes. Assim, o compositor brasileiro Raul Seixas cita
Dessa forma os conceitos criados para uma separação de África do resto do mundo, nos moldes do eurocentrismo, são, de certa forma, pensados com o mesmo propósito de idéias opostas, criação de preceitos sociais inerentes homem.
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