Muitas vezes, as pessoas julgam o comportamento de certos indivíduos como insano, ou irracional. Isso porque, de certa forma, ele está fora do seu padrão de conduta (imposto pelo meio social), tanto na prática cotidiana como também, ao que diz respeito, a pontos de vista. Sabe-se que algumas doenças neurológicas são capazes de alterar a conduta de quem sofre delas. Porém, há outros fatores que causam mudança de comportamento como o entusiasmo e inspirações artístico-intelectuais.
Por vezes, quando alguém se detém, ou se dedica a um problema filosófico, por exemplo – pode ser uma obra de arte, das mais diversas –, ao se aprofundar em seus raciocínios, como meio de se chegar a uma solução, ele acaba por se desligar das questões mais triviais que o cerca, pois ele está a vislumbrar algo distinto e abstrato, em certa medida. Em outras circunstâncias, podemos caracterizar essas alternâncias comportamentais, como momentos de devaneio, quem sabe um lirismo, enfim, situações que diferem de causas clínicas. Mas, a questão que me vem à mente é: qual o limiar da loucura e da lucidez? Ora, se em momentos de inspiração, pode surgir como fruto, coisas geniais. Será que realmente a loucura é a ausência de razão? Ou o acesso a outro tipo?
Seguindo esse pensamento, poderíamos deduzir que o homem, movido pelas aspirações artístico-intelectuais, entra em contato com idéias que não estão ao alcance do senso comum, pelo menos a princípio. A partir delas, surgem e já surgiram várias obras e pensamentos que mudaram o mundo, assim como a ideologia marxista, que através de Karl Marx, homem criticado por muitos por defender seus ideais, não era compreendido e respeitado por outros, mas que influenciou muito o mundo. Outro ponto interessante no que diz respeito à criatividade que, quando exercida de forma livre, dá ao homem a liberdade de produzir sua própria obra de vida, como que ele se assumisse a condição de artesão e obra de arte ao mesmo tempo. A partir dessa perspectiva, podemos acrescentar também a questão do existencialismo, em que fica clara a posição do homem enquanto ser vivente, como um ser livre e como o único responsável por dar sentido à sua existência. Sartre, o grande filósofo existencialista, assim coloca em sua conferência ‘O existencialismo é um humanismo’: “O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo” (Jean- Paul Sartre, 1946).
Portanto, o homem que nega sua condição de Ser livre, passa a ter uma vida guiada por outros, que impõem sobre ele uma forma de comportamento e até mesmo de pensar, na qual não há o mínimo de liberdade. Isso pode acontecer em meios fabris, institucionais e até pela mídia. Fica claro também que, o indivíduo ao deixar de projetar sua própria vida, ele está passível de qualquer forma de poder, não tendo consciência nem autonomia, concomitantemente, sem exercer de fato a razão. Ciente dessas questões é forçoso concluir que o louco, no sentido que tratamos, é todo aquele que busca por si mesmo fazer da sua existência algo significativo, dando vazão às suas aspirações, tornando-se autêntico e singular.
Guilherme de Ávila
Por vezes, quando alguém se detém, ou se dedica a um problema filosófico, por exemplo – pode ser uma obra de arte, das mais diversas –, ao se aprofundar em seus raciocínios, como meio de se chegar a uma solução, ele acaba por se desligar das questões mais triviais que o cerca, pois ele está a vislumbrar algo distinto e abstrato, em certa medida. Em outras circunstâncias, podemos caracterizar essas alternâncias comportamentais, como momentos de devaneio, quem sabe um lirismo, enfim, situações que diferem de causas clínicas. Mas, a questão que me vem à mente é: qual o limiar da loucura e da lucidez? Ora, se em momentos de inspiração, pode surgir como fruto, coisas geniais. Será que realmente a loucura é a ausência de razão? Ou o acesso a outro tipo?
Seguindo esse pensamento, poderíamos deduzir que o homem, movido pelas aspirações artístico-intelectuais, entra em contato com idéias que não estão ao alcance do senso comum, pelo menos a princípio. A partir delas, surgem e já surgiram várias obras e pensamentos que mudaram o mundo, assim como a ideologia marxista, que através de Karl Marx, homem criticado por muitos por defender seus ideais, não era compreendido e respeitado por outros, mas que influenciou muito o mundo. Outro ponto interessante no que diz respeito à criatividade que, quando exercida de forma livre, dá ao homem a liberdade de produzir sua própria obra de vida, como que ele se assumisse a condição de artesão e obra de arte ao mesmo tempo. A partir dessa perspectiva, podemos acrescentar também a questão do existencialismo, em que fica clara a posição do homem enquanto ser vivente, como um ser livre e como o único responsável por dar sentido à sua existência. Sartre, o grande filósofo existencialista, assim coloca em sua conferência ‘O existencialismo é um humanismo’: “O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo” (Jean- Paul Sartre, 1946).
Portanto, o homem que nega sua condição de Ser livre, passa a ter uma vida guiada por outros, que impõem sobre ele uma forma de comportamento e até mesmo de pensar, na qual não há o mínimo de liberdade. Isso pode acontecer em meios fabris, institucionais e até pela mídia. Fica claro também que, o indivíduo ao deixar de projetar sua própria vida, ele está passível de qualquer forma de poder, não tendo consciência nem autonomia, concomitantemente, sem exercer de fato a razão. Ciente dessas questões é forçoso concluir que o louco, no sentido que tratamos, é todo aquele que busca por si mesmo fazer da sua existência algo significativo, dando vazão às suas aspirações, tornando-se autêntico e singular.
Guilherme de Ávila