sexta-feira, 1 de maio de 2009

ANÁLISE DA HERENÇA COLONIAL SEGUNDO A HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA POR TÚLIO HALPERIN DONGHI

Desde o início da expansão humana, o homem social tem, a priori, a necessidade do domínio sobre grupos alheios, de certo para firmar a superioridade da sua organização. Foi assim tanto na escravização dos povos quanto na tomada de terras. Porém, cada tipo de domínio tem suas peculiaridades, e é isso que Donghi trata no primeiro capítulo: as conseqüências da forma de colonização européia na América Latina. No entanto há de se observar que tipo de colonização foi instituído na América Latina. Segundo o dicionário online de português Priberam[1], colonizar significa habitar de colonos; desenvolver as condições de vida e a civilização dos indígenas. Uma vez que, segundo o próprio dicionário, colono é aquele que desbrava o solo e o cultiva, a colonização Latino-Americana corresponde ao homem europeu habitando e desbravando as terras para desenvolver as qualidades de vida dos nativos.

Tendo identificado o tipo de colonização aplicado à América Latina, agora há de se ressaltar os objetivos específicos da Metrópole. Donghi cita um sistema comercial desenvolvido nas terras colonizadas. Para tanto, esse sistema se aplica e se sustenta para condicionar à metrópole que as metas sejam atingidas. Para entender melhor a funcionalidade do sistema, Donghi anota que “são evidentes as vantagens que tal sistema assegurava à metrópole” (p. 12). Essas vantagens correspondiam às utilidades mineradoras, tanto industriais quanto artesanais. Dessa forma a intenção de arrecadação em grande quantidade de dinheiro da colônia com o mínimo de recursos gastos seria possível. Então como aniquilar o máximo de despesas para atender às necessidades da metrópole?

Gastos com mão-de-obra em um determinado aproveitamento de trabalho é um dos recursos mais custosos para o empregador, no entanto para a proteção dos objetivos da Coroa, surgiu uma classe de trabalhadores exploratórios chamada de mita. Os mytaios eram índios que cumpriam serviços obrigatórios nas minas em condições trabalhistas desumanas. Considerando-se assim um tipo de escravidão implantando na América. Porém não foi o primeiro. Antes da mita, os colonizadores utilizavam o que chamariam de encomienda. Essa forma de trabalho compulsório consistia no pagamento dos serviços indígenas nas zonas rurais através da catequização desses índios. Esses dois tipos de escravização, poucos comentados no texto de Donghi, serão, inegavelmente, importantes para a manutenção da exploração mineral e agrária da América Latina.

Importante frisar o sistema utilizado nas colônias hispânicas. Donghi o compara com centros feudais, pois a existência de um senhor como proprietário de um determinado lote de terra fazendo uma função de vassalo. Esse elemento colonial é conhecido como hacienda, que vai pendurar até o fim do período colonial. Porém é importante saber que não apenas esse modo de produção sustentou a economia colonial, a comunidade indígena tinha vantajosa participação nos mecanismos de produção econômica, embora a hacienda vá, posteriormente, sufocá-la, dado ao declínio da população indígena. Segundo Donghi, “a hacienda é um tipo de empresa orientado essencialmente para consumidores externos”, uma vez que a exportação se tornou primordial, em contrapartida às comunidades indígenas.

Não obstante a um modelo de aproximação feudal, as características modernas de produção econômica se fizeram superior ao bruto extraído das terras. “O empreendimento agrícola constitui”, anota Donghi, “de qualquer modo, uma espécie de segunda zona, dependente da mercantil e mineradora”. Por vez, a economia mercantil e mineradora não quererá um isolamento agrário, pois o extraído é mantenedor da primeira.

O século XVIII foi marcado pelas importantes reformas do sistema comercial. A mais importante se destacou em explorar novos contributos coloniais e a aplicar um sistema de comercial de consumo. Sob o olhar de Túlio Halperin Donghi:

 

A reforma comercial não apenas consolida e promove essas modificações da economia colonial, as quais, como dissemos, ligam-se com outras que estão se processando na metrópole. Essa nova onda de conquista de mercados locais, que se produz no curso do século XVIII desde Vera-Cruz até Buenos Aires, em favor de comerciantes vindos da Península (os quais assumem o lugar dos nativos, que dominavam na época anterior), essa onda é denunciada por todos como a afirmação do monopólio de Cádiz. O ambiente comercial andaluz, por sua vez, está dominado por mercadores de origem catalã; Cádiz, no essencial, é apenas um braço de Barcelona.

 

O que se pode destacar em relação ao legado colonial hispânico são os sistemas, unidades e relações econômicas surgidas no curso do período colonial: encomiendas, mitas, hacienda, corregidores, cabildos, mercaderes etc., que, por sua vez, causaram um grande desfavorecimento à economia contemporânea, tal as necessidades de reformas agrárias, reformas econômicas, amplo mercado de economia externa mais autônoma e um desenvolvimento comercial paralelo universalmente.


 

REFERÊNCIA

 

DONGHI, Tulio Halperin. História da América Latina. São Paulo: Paz e Terra, 1975. PP. 11-54.



[1] www.priberam.pt

Desenvlvimento Cognitivo e Pedagogia

Estágios do desenvolvimento cognitivo

 

Buscando compreender como o homem constrói o conhecimento, Piaget desenvolveu uma teoria na qual o desenvolvimento cognitivo se realiza em estágios, ressaltando a importância das condições sociais como fator básico do desenvolvimento humano.

Assim ele divide nos seguintes estágios: (1) sensório-motor, de 0 a 2 anos; (2) pré-operacional, de 2 a 7 anos, e (3) operacional, concreto, 7 a 11 anos, e formal, a partir dos 12 anos.

No primeiro, a atividade intelectual é de natureza sensorial e motora, em que a principal ocupação da criança é a interação dos sentidos com o ambiente. No pré-operacional inicia-se o uso dos símbolos mentais, imagens ou palavras que representam coisas e pessoas. É quando ocorre a representação ou imitação, como também já há um entendimento sobre moralidade (certo ou errado). A criança nesse estágio ainda é incapaz de se colocar no ponto de vista de outra pessoa, esse modo característico de pensamento é chamado egocentrismo.

O último estágio se subdivide em dois: o concreto e o formal. No concreto, a criança usa a lógica e o raciocínio, compreendendo os termos de relação e a classificação de objetos ou seres de acordo com suas características.

Na operação formal, a criança não depende tanto da percepção ou da manipulação de objetos concretos, mas sim a formulação de hipóteses que se comprovam na realidade ou em pensamento é o hipotético dedutivo.

 

Construtivismo

 

A psicologia de Jean Piaget é considerada construtivista ao passo que se concentra em explicar noções de construção de conhecimento a partir do desenvolvimento cognitivo da criança. No entanto a teoria não teve, em primeira instância, a preocupação de ter um alcance tão significativo na Pedagogia, embora tenha conseguido uma enorme amplitude na Educação. Inclusive, no Brasil, nos estudos da leitura e escrita, além do trabalho de reeducação de crianças com distúrbios de aprendizagem.

Na teoria construtivista, aluno (sujeito) é um ser ativo que estabelece relação de troca com o meio/objeto. Sendo por si só uma teoria interacionista que irá influenciar várias outras teorias de teor sociológico como as de George Herbert Mead e Erik Erikson.

Em se tratando de ensino/aprendizagem, o professor deve estar atento sobre o estágio de desenvolvimento do aluno. Ou seja, devem ser estabelecidos os métodos de ensino de acordo com o estágio de desenvolvimento cognitivo da criança, exigindo do professor uma atenção individualizada para cada aluno, uma vez que a variação da formação de cada estágio pode ocorrer de um indivíduo para outro.

A teoria piagetiana é considerada contemporânea no âmbito pedagógico. Os primeiros indícios da teoria de Piaget no campo educacional foram evidenciados a partir do movimento escolanovista, iniciado na Europa no final do século XIX. A partir de então a proposta de inserir a concepção piagetiana na Pedagogia foi com o intuito de combater a Educação Funcionalista do sociólogo francês Émile Durkheim. Uma nova compreensão surgia constituída desse ânimo reformista na Educação.

O construtivismo de Piaget também foi decisivo na formulação dos Pilares da Educação pela Organização das Nações Unidas – ONU, representando o primeiro pilar: aprender a conhecer. Significando a valorização da construção do conhecimento a partir de métodos construtivistas.

Tais métodos representam em sua maioria a liberdade dada ao aluno, como, por exemplo, a participação ativa na aula; a oposição às cartilhas, frequentemente usada em métodos funcionalistas; e material diversificado de acordo com a realidade do aluno.

 

Aplicabilidade das teorias piagetianas

 

A grande confusão feita no meio acadêmico e científico é em relação a classificação da teoria de Piaget. Isto é, equívocos, sobretudo à natureza da obra do estudioso, são facilmente encontrados. Mas o que deve ser esclarecido é que não necessariamente são encontradas em Piaget propostas pedagógicas e preocupações pedagógicas. A obra de Piaget não é pedagógica.

O que houve foi uma tradução ou um empréstimo da teoria de Jean Piaget para a Educação. Isso leva a crer que a obra é tão requisitada no campo pedagógico por se tratar do desenvolvimento da criança, ocorrendo uma adaptação dos escritos piagetianos às correntes pedagógicas, como já visto em referência à Escola Nova.

Como as crianças constroem o conhecimento?

As propostas práticas dos educadores rondam em torno de atividades desafiadoras para a promoção da descoberta e a construção do conhecimento. As concepções infantis combinam-se às informações advindas do meio. O conhecimento não é descoberto espontaneamente pela criança, resulta de interações.

Com a concepção de Piaget, a formação de homens “criativos, inventivos e descobridores”, de pessoas críticas e ativas e a busca constante da construção da autonomia formam alguns objetivos da Educação.

Algumas implicações do pensamento de Piaget para a aprendizagem: a) a aprendizagem depende do nível de desenvolvimento do sujeito; b) a interação social favorece a aprendizagem; c) os objetivos pedagógicos necessitam estar centrados no aluno; e d) oferece ao professor atitude de respeito às condições intelectuais do aluno e um modo de interpretar suas condutas verbais e não verbais para melhor poder trabalhá-las.

São percebidos alguns princípios básicos para a aplicabilidade da teoria: a ação, em que as crianças conhecem os objetos usando-os; a representação, atribuindo todas as atividades um tipo de representação, permitindo que a criança manifeste o seu simbolismo; as atividades grupais, desenvolvendo a interação com o contato com outras crianças; e a organização, em que é adquirida através de atividades.

IDÉIAS PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS DE ÁFRICA A PARTIR DO ARTIGO DO PROF. MSC. FERNANDO JOSÉ FERREIRA AGUIAR

Esse texto tem como caráter fomentar discussões em relação à idéia de África a partir do artigo A História da África entre afirmação da alteridade na diferença, fetichização da diferença e reconhecimento, do Prof. Msc. Fernando José Ferreira Aguiar, bem como elucidar pontos importantes do artigo, tendo em vista o usufruto da teoria do filósofo inglês John Locke acerca do entendimento humano.

Logo ao primeiro parágrafo identificamos a chamada “invenção de África”. Consideremos que, segundo Locke, a produção da idéia (a palavra aqui como sinônimo de conceito) é conseqüência da qualidade do objeto, o continente africano desencadeou múltiplas noções em relação à sua natureza. Tracemos, então, dois subtópicos em referência à teoria de Locke: qualidade primária e qualidade secundária.

I - A primeira significando uma idéia universal de África. Ou seja, o que seria, a priori, o conceito absorvido por todos, como clima, relevo, vegetação etc.;

II – No entanto a segunda é relativa e subjetiva, provocando no indivíduo uma idéia própria de África; sendo, deste modo, variável de sujeito para sujeito.

Em se tratando da origem da palavra África, é perceptível o primeiro subtópico: gregos, latinos e fenícios consideravam as qualidades empíricas como primeiras noções de África. Por isso a classificação como idéia primária.

É interessante elucidarmos, antes de partimos para a análise das idéias secundárias encontradas no artigo, que o princípio dos estudos de África se enverga num âmbito lingüístico: tanto na etimologia dos termos como nos dialetos oriundos da expansão humana. Para tal, Geenberg afirma um núcleo inicial da expansão humana a partir da fronteira de Nigéria e Camarões; um contraponto é a teoria de Guthrie em que é exposta a região do Chade como ponto inicial do deslocamento; e, por fim, Roland Oliver, fazendo uma fusão das duas idéias anteriores. Todas elas pertencentes de uma única raiz.

O que primeiro podemos discutir em relação às idéias secundárias num olhar à África é que, por motivo histórico-cultural, foi montando, segundo o artigo, a partir de Hegel, um conjunto de noções básicas para o desfavorecimento das sociedades não européias. Por outro lado, o que chamamos de eurocentrismo pode ser colocado como forma inata ao homem social de se firmar como grupo e/ou organização, assim como o determinismo ambiental pode explicar algumas teorias relacionadas à dominação política, econômica e social. Dessa forma o afrocentrismo também faz parte de um conjunto de noções básicas para o favorecimento dos povos africanos e afrodescendentes. Assim, o compositor brasileiro Raul Seixas cita em O Homem, gravada em 1976, “Pois se uma estrela há de brilhar / Outra então tem que se apagar”, fazendo alusão à firmação do homem enquanto ser social.

Dessa forma os conceitos criados para uma separação de África do resto do mundo, nos moldes do eurocentrismo, são, de certa forma, pensados com o mesmo propósito de idéias opostas, criação de preceitos sociais inerentes homem.