quarta-feira, 12 de março de 2008

Reflexão por si e sobre si do nada

O que a Filosofia da Loucura estuda? Será que, realmente, ela faz estudo de algo? O que ela se propõe a refletir? Refletir - assim o termo soa como deve soar -, pensar. Tarefas desenvolvidas com o intuito de estabelecer uma verdade? Absoluta? Individual? O que ela estuda, afinal?

Estabelecendo um parodoxo – não regra metodológica -, uma antinomia do refletir e do pensar.

Uma pequena utilização dos conceitos na origem da Filosofia da Loucura:

Refletir

  1. Exame de um determinado conteúdo através do espírito sobre si mesmo.

Pensar

  1. Formação de idéias, julgamento, suposição, estrutura de formulação interpretativa da realidade que fermentará a reflexão.

Assim pensa-se no objeto da Filosofia da Loucura: qual? Nada? Por que não? Por que não?

Estágio do pensar: “qual o objeto da Filosofia da Loucura? Nada?”

Estágio do refletir: “Por que não? Por que não?”

Por essa determinação conceitual, inicia-se uma reflexão sobre si mesmo:

  1. O que é o NADA?
  2. Para que serve o NADA?
  3. Qual origem do NADA?

Pois bem, relacionam-se as suposições (o que se dá a oscilação pensar/refletir):

  1. O que é:

a) O que não existe. Na concepção de reflexão, o nada não se torna uma variável válida. Ele é um conteúdo para exame por si e sobre si. Ele existe!

b) O que existe, mas não tem propriedade experimental. Do ponto um, existe, ao ponto dois, de modo intelectual, há uma ponte que se desdobra no confronto razão/emoção. No entanto isso se liquida na fase reflexão: como o nada se utiliza do conceito para a não-existência de algo, ele não se limita a ter uma expectativa racional, ele atua como a falta do sentimento de algo. Por esse motivo o indivíduo o aceita e o compreende, torna-o objeto de uma sensação ausente que torna presente a falta da mesma. Ou seja, tem propriedade experimental.

c) O motor infinito da existência das demais coisas. A origem de todo o pensamento. O conceito utilizado para o tudo em contraponto ao mesmo nada.

  1. Para que serve:

a) Talvez seja a mais complexa idéia para reflexão: função. Porém o nada existe para dar valor às coisas, assim como ele é o motor infinito para as demais. A não-existência de algo é função da existência de outro; no mais, o nada é a função da existência do mesmo nada.

b) Serve para exame de conteúdo sobre si.

  1. Origem:

a) Motor das demais coisas, o nada surgiu da necessidade do próprio nada. Mas antes de existir, o nada existia, o que faz dele infinito. Então a reflexão que se faz sobre si é da utilização dele. Como sempre foi a ausência do algo, o nada existiu (isso fazendo algo infinito) a partir da existência do algo? Se se passou a existir a partir da existência de algo, e se o nada é a não-existência deste, dessa forma o nada sempre existiu, mesmo se algo passou a existir (não sendo algo, a não ser o nada, infinito). Conclusão, existindo ou não algo infinito – o que não é a reflexão exposta aqui -, que não seja o nada, o nada sempre existiu e sempre existirá.

A reflexão se fez por si e sobre si a partir de uma verdade individual – a usada para as reflexões. O fim é o início da mesma reflexão pelo fato da verdade se portar como um conteúdo de exame por si e sobre si.

5 comentários:

Danilo Duarte disse...

Deus será o nada, então? Se tudo vem do nada ou se algo vem do nada, como o nada pode ser concreto? E os pensamentos, de onde viriam?

Boa interpretação sobre a materialização do nada.

Danilo Duarte disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ítalo Duarte disse...

Se, em seu pensamento, Deus se traduz como um 1° motor, ele pode ser interpretado como o nada. Mas Deus é algo (abstrato), já não poderá ser o nada. Mais: o nada é o sentimento da falta do algo, por esse motivo o nada é sentido. Exemplo: se taparmos nossos olhos e socarmos uma parede, e, logo após, formos socar a mesma parede e não a encontrarmos no mesmo lugar, sentiremos inevitavelmente o nada. É como compreender o nada: ele é de fácil compreensão, assim como as coisas sensíveis.

Ítalo Duarte disse...

Os pensamentos se originam do nada simplesmente por pensarmos sempre em algo. Como o algo é origem desse nada, conseqüentemente, o pensamento provem da mesma idéia do nada.

Anônimo disse...

Seria correto afirmar, penso eu dessa forma: "o nada é a não-existência de algo em um determinado tempo e espaço".

p. ex.

Abro a geladeira na expectativa de encontrar algo que eu possa comer, nada encontro. Porém o nada se fez nada pela esperança de existir algo. Ou seja, o nada é a existência de algo que não se encontra em um determinado espaço-tempo.

Será?